27
Dez 10

[No economic recovery without...] Desejos para 2011? Wishes for 2011?

MCA-S002.jpg


[No economic recovery without...] Desejos para 2011? Wishes for 2011?
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publicado por JCM às 22:41 | comentar | favorito
27
Dez 10

Statistics are stupendous!

 

200 Countries, 200 Years, 4 Minutes

 

 

publicado por amigosdavenida às 22:09 | comentar | favorito
22
Dez 10

Merry Christmas & Feliz Natal (photo: Cargaleiro, 'Christmas [Red] City')

Cargaleiro+Red City.jpg


Merry Christmas & Feliz Natal (photo: Cargaleiro, 'Christmas [Red] City')
publicado por JCM às 16:03 | comentar | favorito

creative industries

[creative industries] 'The London, Journal of Tourism, Sport and Creative Industries (LJTSCI) has just published its latest edition which is focused on the cultural and creative industries. The papers published in this issue attempt to provide some clarity as to what constitute the cultural and creative industries and to highlight the diversity of firms which belong to these sectors'
(for a free copy go to link http://www.londonmet.ac.uk/fms/MRSite/acad/lmbs/SUBJECT%20AREAS/TSCI/EMK%20JOURNALS/TSCI%20-%20Fifth_edition_Nov_2010.pdf)
publicado por JCM às 09:12 | comentar | favorito
22
Dez 10

Best Careers 2011: Urban Planner

Best Careers 2011: Urban Planner (As one of the 50 Best Careers of 2011, this should have strong growth over the next decade)
http://money.usnews.com/money/careers/articles/2010/12/06/best-careers-2011-urban-planner.html
publicado por JCM às 00:21 | comentar | favorito
20
Dez 10

A propósito da 'Retoma vs. transição'

[debate no 'Cidades pela Retoma']

 

[Nuno] post 3

Caro Mário, agradeço a resposta e os links interessantes,

Como diz, um cenário recessivo afasta a hipótese da mossa nos preços que faz o aumento de procura, tal como, inversamente, os preços altos inviabilizam um crescimento económico contínuo (pelo menos de todos e como "no antigamente").
No meio de tudo isto, concordo também, as pessoas vão descobrindo alternativas e oportunidades, tal como em qualquer outro ponto do movimento perpétuo da história.
Dito isto, não ponho em questão as grandes probabilidades que tudo se desenrole de forma positiva (a auto-preservação é um instinto muito forte), relativizando o peso dos transportes devido a comportamentos "auto-regulatórios" gerados por preços altos mas é tudo uma questão de tempo.

A questão é que o transporte (barato, necessariamente) não é apenas gordura e desperdício: o transporte de carga não-rodoviário interno na UE é menos de 15%; o comércio global é feito em 90% por navio (uma das imagens do Verão de 2008 foram as centenas de navios ancorados no Mar da China, cheios de carros e roupa) e os passageiros por via aérea são 16 biliões- tudo isto é o suporte da coesão económica de países que compram e que exportam, de interacção de pessoas e de alianças políticas. A Revolução Industrial disparou com o transporte permitido pelo vapor e continua até hoje (e mais do que nunca), dependente de energia acessível e barata. Uma redução do transporte global não implica eficiência mas estagnação ou regressão- após décadas a construir uma dependência total do comércio externo, abandonando as capacidades próprias, todos os países se expuseram a uma fragilidade sem paralelo. Como desfizemos, podemos refazer agora, mas precisamos de tempo.

Mas a infra-estrutura monumental que é o transporte global é impossível de mudar significativamente em 30 anos, quanto mais em 5. Em Portugal, os nossos 3 maiores exportadores - Galp, Tap e Autoeuropa - por exemplo, dependem directamente de crude barato, o transporte rodoviário está nos 98% (!) por isso torna-se óbvio que é difícil ter a estabilidade económica relativa necessária a tais transições, assumindo que não há uma enorme resistência, por parte de políticos e cidadãos, a tudo o que implique algum tipo de mudança de hábitos para longe do paradigma de consumo actual. Os transportes colectivos são cruciais mas em apenas 15 dias (!) anunciou-se a extinção de linhas de comboio; que rodoviárias vão fechar por dívidas do Estado; que preços dos transportes vão subir; que se venderam mais automóveis do que nunca; que a CP Carga está em falência técnica e, finalmente, que o preço do petróleo subiu de 70 para bem acima dos 90$ em menos de 3 meses (por causa disto commodities como o açúcar duplicaram de preço mas a população e jornalistas lá pensaram que a culpa é dos hipers).

Está difícil, como bem apontou o Mário, ter um sentimento mais construtivo do que a preocupação.
Basicamente, posso soar algo pessimista mas não é porque enfrentamos um desafio técnico gigantesco mas porque ninguém reconhece que exista sequer um problema estrutural na nossa economia e sociedade.

Nesta fase, se ventilar publicamente qualquer tipo de alerta deste género, corro o risco de passar por um daqueles profetas que se encontram nos semáforos.

N.

 

[Mário Alves] post 2

Obrigado pelo comentário. De facto somos sempre tentados, e chamados, a prever o futuro. O que sugiro no artigo é que em vez de o tentarmos prever, devíamos tentar construi-lo. Como? Construindo narrativas coerentes sobre o futuro, ponderando as responsabilidades e consequências (entende-se a atenção que o Kunstler dá à ficção). Só assim podemos também pensar melhor em formas de alterar os nossos destinos. Com visões partilhadas de futuro, podemos evitar, pelo menos parte, as consequências de continuarmos a comportar da mesma forma. Como diria o La Palisse , e como descobriu o Kunstler com o bug do milénio, o futuro depende em muito de nós. Claro que em situações muito complexas e com grande velocidade, alterar padrões e trajectórias será sempre muito mais difícil e até doloroso. Mas é bem mais útil e interessante procurar futuros desejados, que tratar o futuro como uma fatalidade a que nos temos que adaptar. 
Vídeo de uma apresentação da Dana Meadows onde fala sobre a importância de ter uma visão sobre o futuro (vale a pena ver até ao fim, porque termina de uma forma corajosa e surpreendente):
http://www.uvm.edu/giee/beyondenvironmentalism/Meadows.mov
O último relatório da EIA é muito interessante também por causa desta complexidade de saber do que estamos a falar quando falamos do futuro. O caso do petróleo é um bom exemplo de como o seu futuro como recurso depende muito da forma como alteramos comportamentos e políticas. O que à primeira vista pode ser interpretado como "finalmente o anuncio do pico pela EIA":
http://motherjones.com/kevin-drum/2010/11/chart-day-peak-oil


É justificado de outra forma: adoptando New Policies scenario " (ler com atenção o gráfico) a pressão da procura do petróleo baixará de forma a não ser necessário aumentar a oferta. Não que eu pessoalmente acredite muito na possibilidade da adopção do New Policies scenario ", mas é claramente uma tentativa da EIA alterar e controlar o futuro. E como sabemos há duas maneiras de lidar com limites, ou pela gestão ou pela catástrofe.
O meu cepticismo na adopção do New Policies scenario " tem muito a ver com outro aspecto interessante do último relatório da EIA: estimaram que em 2009 os combustíveis fosseis receberam em todo o mundo 312 biliões de dólares em subsídios (os quais muitas ONGs consideram subestimados e, sabemos nós, não incluem as externalidades). Dizem os cínicos que política é a arte de passar os problemas para a geração seguinte.
Sobre as consequências do impacto do preço do petróleo, devo acrescentar que poderá ser mais indirecto sobre a mobilidade das pessoas (através do impacto directo na economia, pessoas sem dinheiro de pijama em casa viajam pouco) e mais directo sobre transporte de mercadorias. A mobilidade individual das pessoas tem neste momento muita "gordura" ineficiente de reserva (tonelada e meia para transportar uma pessoa virgula três!) o que ajudará a encontrar, não sem dor, formas mais eficientes de locomoção. Cobrar ou não as externalidades ao Transporte Individual poderá passar a ser uma questão política irrelevante, perante a revolta paralisante dos camionistas, da inflação e desemprego, do aumento da divida externa para o pagamento da factura energética, etc. 
Para não pensar que estou a fugir à pergunta: sim, a situação é preocupante. Preocupação é um sentimento pouco útil. Mais vale procurar na arte e filosofia formas de compreender melhor o que se está a passar e imaginar outros futuros.

Mário

 

[Nuno] post 1

Ecoo também a questão de pertinência de "voltar atrás" a um paradigma de crescimento baseado no consumo, que enfrenta agora o seu maior desafio político após o colapso do comunismo.
Perguntava apenas ao Mário Alves, porque acha que a inclinação "Cassandrista" do Kunstler, agora assente no binómio economia financeira/disponibilidade de energia barata, está igualmente errada, após o previsível flop do bug do milénio? 
Também não vou muito à bola com o estilo de escrita do homem, a não ser por motivos lúdicos (felizmente passou a dedicar-se à ficção), mas quando a própria IEA corrobora as suas previsões a curto prazo...

http://economia.publico.pt/Noticia/petroleo-preparase-para-voltar-aos-100-dolares-o-barril_1471018

publicado por JCM às 22:20 | comentar | favorito

A propósito do texto de Sevcik

[comentário]


Completamente de acordo com SEVCIK. As receitas mágicas da Classe Criativa ou da Cidade Criativa, aplicadas a esmo servem, se servirem, apenas a operações de charme/marketing territorial de curto alcance.
O fundamento de uma viragem para a economia cultural e criativa radica na democracia cultural e criativa (bottom-up) e na diversidade. Isso exige uma visão política com uma forte componente de governância, transparência, informação pública e participação.
Nestes aspectos, segundo vários estudos ( Villaverde Cabral, Mozzicafreddo, A. Ribeiro, ...) as cidades médias e pequenas portuguesas estão ainda na idade média, a figura do "Cesarismo" paternalista ainda abunda...quantos presidentes de câmara/vereadores se julgam programadores e gestores culturais ? quantos decidem que a arte pública é uma coisa de rotundas ? quantos decidem o que é ou não é cultura? quantos pensam que "cultura" é uma flor na lapela...
Como não acredito em saltos quânticos em matéria politico-social-cultural, só quando começarmos a fazer o trabalho de casa, desde o princípio e sem batota, é que poderemos ambicionar a ter uma vitalidade cultural urbana interessante, um tecido criativo activo e crítico, enfim uma atmosfera cultural e criativa regular e presente no quotidiano. Sem isso, ficamos com uns espectáculos e umas festa de salão ao fim-de-semana para nos entreter...
A minha tentativa e proposta para uma política cultural, aqui (obviamente que não serve como modelo universal, foi pensada para Torres Vedras)

Rui Matoso

publicado por JCM às 22:13 | comentar | favorito
20
Dez 10

Why Art and the Creative Class will Never Save Cities

Why Art and the Creative Class will Never Save Cities

(http://urbanomnibus.net/2010/12/thomas-sevcik-why-art-and-the-creative-class-will-never-save-cities/)




Thomas SEVCIK desenvolveu numa palestra efectuada recentemente em Miami (http://vimeo.com/17541511) um interessante argumento a propósito da tão falada e propalada aposta na criatividade e nas cidades criativas. O consultor referiu que o tema se tem prestado a diversas conclusões perigosas e abusivas sobre o real valor da criatividade para a economia urbana e referiu a necessidade de discutir as verdades adquiridas sobre esta matéria.

SEVCIK começa com o argumento de que as indústrias criativas são actualmente avessas à inovação, citando vários estudos [solicitar fonte] que referem que devido ao crónico sub-financiamento quando essas actividades descobrem uma formula de como podem vender um determinado produto (por exemplo um tipo de Web-site ou uma estratégia especial) tendem a reproduzir o mesmo sistema e a vender sempre o mesmo ou da mesma maneira.

O autor refere mesmo que comparando o sector cultural e criativo com os sectores da biotecnologia ou da indústria financeira, estes últimos revelam ser mais criativos.

Por outro lado, SEVCIK censura as queixas dos artistas sobre o crescente aumento das rendas imobiliárias (sobretudo nas grandes cidades), alertando para o facto das 'cidades baratas' serem cidades pouco interessantes do ponto de vista económico o que se tem traduzido, ao longo da história, e segundo o autor, por uma menor atractividade do ponto de vista artístico e cultural.

No entanto, o ponto central da crítica centra-se na forma como a criatividade é vista como a nova alquimia das cidades suportada pelo argumento de que as cidades se tornam vibrantes por uma mera aposta nas artes.

De acordo com alguns estudos [solicitar fonte], o que se passa é exactamente o contrário, isto é as cidades importantes do ponto de vista artístico são as cidades capitais do mundo financeiro.

O autor refere que o uso da arte e da cultura (e das indústrias culturais) como uma mera ferramenta de marketing, ou como uma forma superficial de dar algum protagonismo à cidade, tem sido particularmente inútil e mesmo desvantajoso para as cidades.

Em alternativa SEVCIK recomenda uma aposta na educação, onde existe um potencial relevante de desenvolver a cultura, a criatividade e, em consequência, as cidades. Esta aposta não se traduz, de forma imediata, em resultados visíveis, que os protagonistas políticos tanto desejam, mas é uma metodologia mais 'bottom-up' que tenderá a mudar e a valorizar o 'potencial cultural e social' das cidades.

Os ingredientes tantas vezes pronunciados sobre as qualidades da cidade criativa (FLORIDA) raramente são acompanhados das metodologias (pistas de 'receitas' ou 'fórmulas') para a sua combinação.

Sem estas preocupações metodológicas para suportar um desenvolvimento orgânico da criatividade e inovação, as cidades podem tornar-se 'conchas vazias', aparentemente atractivas mas sem conteúdo.

(tradução livre)

JCM
publicado por JCM às 13:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
18
Dez 10
18
Dez 10

As Cidades na Iniciativa para a Competitividade e Emprego

 

No âmbito da Iniciativa para a Competitividade e Emprego o Governo decidiu desenvolver uma apostar na reabilitação urbana e na dinamização do mercado de arrendamento, através das seguintes iniciativas:
a) Dinamizar a criação de áreas de reabilitação urbana, especialmente em zonas de intervenção prioritária, e apoiar o lançamento dessas operações, em colaboração com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses;
b) Articular a reabilitação urbana e a política de cidades, estendendo-se às zonas de regeneração urbana apoiadas pelos fundos do QREN os instrumentos e os benefícios aplicáveis às áreas de reabilitação urbana;
c) Apresentar, até ao final do 1.º trimestre de 2011, uma proposta de lei que simplifique e torne rápidos e eficazes os procedimentos necessários para o senhorio poder obter a entrega do seu imóvel livre e desocupado perante o incumprimento do contrato de arrendamento, garantindo os direitos dos senhorios e salvaguardando de forma adequada os direitos dos arrendatários;
d) Apresentar, até ao final do 1.º trimestre de 2011, uma iniciativa legislativa que i) simplifique os procedimentos de controlo prévio necessários à realização das operações de reabilitação urbana, ii) elimine os obstáculos e os condicionamentos que oneram excessivamente a realização dessas operações e iii) simplifique os mecanismos de determinação do nível de conservação dos edifícios e de classificação de imóveis devolutos;
e) Criar linhas de financiamento à reabilitação urbana, nomeadamente através da constituição i) de um fundo de investimento para reabilitação de imóveis devolutos destinados a arrendamento, ii) de um fundo de participações em operações integradas de reabilitação urbana e iii) de uma linha de crédito destinada a projectos de reabilitação específicos.

Que comentários esta proposta vos sugere? E que sugestões? Contributos podem ser enviados para noeconomicrecovery@gmail.com

 

 

publicado por amigosdavenida às 00:00 | comentar | favorito
17
Dez 10
17
Dez 10

Shared space

[Shared space]

'Never make a place seem safer than it is' (Rob COWAN)

 

learn to coexist, New Urban Network

publicado por JCM às 18:37 | comentar | favorito
16
Dez 10

5 stages of the Cycle of Creativity.

 

'Phil Wood from Comedia describes stages and genesis of the Cycle of Creativity that he developed with Charles Landry more than 20 years ago'

 

 

publicado por JCM às 22:42 | comentar | favorito
16
Dez 10

Creative Economy Report 2010 - UNCTAD, released today

[Creative Economy Report 2010 - UNCTAD, released today]

'Early evidence indicates that demand for some 'creative industry' products -- particularly those which are domestically consumed, such as videos, music, video games, and new formats for TV programmes -- remained stable during the global recession. This economic sector, especially if supported by enlightened government policies, may help national economies, including those of developing countries, to recover from the downturn' (http://businessjournalist.blogspot.com/)

Creative Economy Report 2010 (pdf) http://www.unctad.org/Templates/WebFlyer.asp?intItemID=5766&lang=1
publicado por JCM às 08:37 | comentar | favorito
15
Dez 10

'O renascer das cidades' (Expresso, 11 Dez) - ‎Governo vai lançar plano nacional

'O renascer das cidades' (Expresso, 11 Dez)
‎Governo vai lançar plano nacional
http://aeiou.expresso.pt/reabilitacao-programa-nacional-dinamiza-imobiliario=f620956
http://aeiou.expresso.pt/reabilitacao-fundos-nao-seduzem-investidores=f620955
publicado por JCM às 23:25 | comentar | favorito
15
Dez 10

'Retoma vs. transição' / 'Crise vs. Mudança de paradigma' [o debate sobre o futuro das nossas cidades]

No seguimento do desafio lançado pelo 'Cidades pela Retoma' recebemos dois interessante contributos para reflexão (que desde já agradecemos!):
'Crise, cidade e criatividade' de Rui Matoso (http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/21179.html)
'Retoma ou transição?' de Mário Alves (http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/22109.html)
Curiosamente, ambos discutem o momento actual em que vivemos (com os seus problemas e contradiçoes) e questionam a pertinência do conceito de 'retoma', sobretudo se isso significar 'um regresso ao estado anterior' ou a 'continuidade de algo interrompido', concluindo pela necessidade de equacionar uma mudança de paradigma.
Vale a pena ler os artigos que são um excelente ponto de partida para o debate. Os comentários (ou novos artigos) podem ser enviados para noeconomicrecovery@gmail.com. O debate começa (ou continua) na mailing-list (https://groups.google.com/group/cidadespelaretoma) ou na página FB (http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma).

'Cidades pela Retoma'
http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/
http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma
publicado por JCM às 10:31 | comentar | favorito
13
Dez 10

Retoma ou transição?

Num artigo do sempre divertido e amargo James Howard Kunstler, que o José Mota (JM) descreve de forma certeira como uma mistura de Medina Carreira e João Jardim com sotaque americano, a ideia de "retoma" é trucidada e lançada à parede com a perícia de quem sabe escrever e se especializou na descrição da doce catástrofe:
The hardships of today do not represent a dip in some regular cycle of financial push-me-pull-you. This is a systemic, structural change in the socio-economic ecology of human life.
...
This idea of "recovery" promulgated by authority figures who ought to know better is the cruelest swindle of them all, and perhaps the ...final one. If you want something like gainful employment in the years ahead, don't rely on the corporations, the government, or anyone with a work station equipped cubicle.
(Hat tip ao Alberto Castro Nunes)
Devo dizer que o JHK sempre me divertiu, mas raramente me convenceu sobre o futuro. Há uns tempos almocei com ele em Lisboa e ao lembrar-lhe que também se tinha enganado nas suas previsões (circa 1999) da inevitável catástrofe que causaria o bug do milénio, ele perdeu o humor e ficou uns largos minutos a justificar-se visivelmente irritado. Para além deste pequeno incidente, é como todos os pessimistas: uma personagem simpática e muito divertida. Leio-o irregularmente como encenador competente e mordaz do futuro - que involuntariamente dizem mais sobre dele e Saratoga Springs do que sobre o mundo. Nunca deixo de admirar a confiança que ele tem nas suas palavras e previsões. Tal como o Zandinga (e não estou a comparar a qualidade) ele também expõe o peito com coragem ao futuro. Pessoalmente habituei-me a considerar as suas previsões como visões - talvez elas sejam mais úteis se não as levarmos totalmente a sério, mas narrativas que nos ajudam a pensar o presente. Sendo assim, a justificação dele de ter falhado a previsão da desgraça na passagem do milénio pode fazer sentido - não aconteceu precisamente porque fizemos o esforço de imaginar e corrigir o futuro. Sobre as previsões de futuro prefiro ficar-me sempre pela máxima futebolistica: "prognósticos, só no fim do jogo".

Isto a propósito da minha dificuldade com a palavra "retoma". Não tendo respostas, fico um pouco perturbado com a nossa vontade de voltar atrás. Será possível, ou mesmo desejável? Que alternativas existem? Será falta de imaginação? Todos os esforços são por isso válidos. Inventar um novo sistema e paradigma não é nada fácil e exigirá cortes radicais com o passado, revoluções como nos explicou o Kuhn noutros contextos.

Neste conjunto de esforços de sairmos do buraco, diz-me o JM, começou ontem uma conferência em Chicago: "Global Metro Summit: delivering the next economy". Sobre cidades e as possibilidades de "retoma". Na breve introdução à conferência, logo a seguir ao enquadramento inevitável da crise, surge o seguinte parágrafo:
"What would this reset look like? Top economists, such as National Economic Council Chairman Larry Summers, think the shape of the next American economy must be more export-oriented, low carbon, innovation-fueled and opportunity rich."

Alto lá! Por coincidência acabei de sair do filme "Inside Job" (que recomendo, em exibição em Lisboa, Porto e Faro - A Verdade da Crise), onde o Larry Summers é convincentemente caracterizado como um dos protagonistas, se não mesmo o protagonista, do buraco em que nos encontramos. Talvez esta reciclagem de gurus e paradigmas seja o que mais me perturba nesta ideia de "retoma".

Poderei estar a ser injusto com a conferência em Chicago - mas por aqueles lados ninguém cita Larry Summers sem saber o que está a fazer.

Mais refrescante, porque invoca um outro mundo, são os conselhos do Kunstler no fim do seu artigo:

Start reading up on gardening and harness repair. Learn how to fix a pair of shoes. Volunteer for EMT duty if you're already out of a paycheck, and learn how to comfort people in medical distress. Jobs of the future will be hands-on and direct. I have no idea what medium of exchange you'll get paid with, but a chicken is a good start. 

Retoma ou transição?
O importante é começarmos a conversar mais e melhor. Por isso mesmo parabéns pela iniciativa - Cidades pela Retoma.
Mário Alves (email)

publicado por JCM às 13:50 | comentar | ver comentários (3) | favorito

'O renascer das cidades' (Expresso, 11 Dez)

[Governo vai lançar plano nacional]
'O renascer das cidades' (Expresso, 11 Dez)
http://aeiou.expresso.pt/economia
publicado por JCM às 13:38 | comentar | favorito
13
Dez 10

Rua das Ideias n.º 11 - Repensar a concepção das ruas da nossa cidade

DIY_Simple_Guide_cover.jpg


'DIY Streets is a Sustrans project that brings communities together to help them redesign their streets, putting people at their heart and making them safer and more attractive places to live. It's an affordable, community-led alternative to the home zones design concept'.
http://www.sustrans.org.uk/what-we-do/liveable-neighbourhoods/diy-streets

(Download the guide here - http://www.sustrans.org.uk/assets/files/liveable%20neighbourhoods/A%20simple%20guide.pdf)
publicado por JCM às 13:34 | comentar | favorito
09
Dez 10
09
Dez 10

website articles about 'cities and recovery'

'No Economic Recovery without Cities' Civic Initiative is calling for 'website articles' (no more than 3.000 words) about 'cities & recovery'.
Best articles will be published in the blog (
http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/ ) and linked in several mailing-lists and FB pages.
Send your civic contribution to
noeconomicrecovery@gmail.com .

'Cidades pela Retoma' vem desafiar-vos a partilhar as vossas reflexões sobre a temática das 'cidades e a retoma económica'.
Os textos não podem ultrapassar 2.500 palavras e devem ser enviados para
noeconomicrecovery@gmail.com.
Após análise editorial, os textos seleccionados serão publicados total ou parcialmente no blogue, com notícia no FB (rede nacional e internacional) e mailing-lists.
Participe nesta reflexão colectiva!


'No Economic Recovery without Cities' Civic Initiative
http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/
http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma

publicado por JCM às 13:35 | comentar | favorito
07
Dez 10

Crise, cidade e criatividade [Contributo #2]

[contributo para reflexão, Rui Matoso]

Como ponto de partida, considero que o momentum actual é muito mais complexo do que uma simples crise financeira/económica, englobando em si uma crise política, uma crise ambiental, uma crise da globalização, enfim uma crise civilizacional.

As mais recentes descobertas da Wikileaks mostram de que forma é exercida a política internacional e a influência dos homens politica e economicamente mais poderosos do mundo, como se não tivesse sido ainda suficientemente claro aquilo que outros já afirmavam, Noam Chomsky por exemplo.

Ao nível nacional e local, a qualidade da democracia participativa está ainda aquém do que muitos estudos evidenciam ser possível e necessário, o consenso gerado artificialmente (sem debate de ideias) e aceite como coisa natural (naturalizado) demonstra até que ponto as nossas consciências estão colonizadas por um mecanismo de aceitação tácita do pensamento único, e das inevitabilidades...das austeridades.

A falta de conflito democrático e por conseguinte de visões políticas diferentes, promovem nas nossas cidades uma anestesia generalizada, impedindo o surgimento e a implementação de propostas mais criativas e catalisadoras de desenvolvimento económico e cidadania. O fenómeno do "cesarismo local" parece não ter desaparecido, talvez tenha apenas mudado de estilo, e até alastrado a sua influência a novas áreas como a da "cultura": desde as rotundas embelezadas por objectos à arte-pública domesticada, passando pelo estado da qualificação da dimensão cultural das cidades, tudo isto parece estar sob a batuta do gosto do autarca iluminado. (salvo excepções)

Está a tornar-se notório que os cortes ao financiamento das autarquias e a diminuição de receitas previstas surgem sem que haja uma busca de alternativas ao nível da gestão, ao nível da procura de soluções em parceria com a sociedade civil. Ou seja, a crise económica gera bloqueios ao desenvolvimento de alternativas, porque sem a preexistência de hábitos democráticos participativos enraizados, geradores de capital social e de confiança, o espaço público e a qualidade da vida pública/colectiva fica refém de mecanismos de controle mais arcaicos.

Nas dimensões política, cultural, social, económica e ecológica das cidades é urgente a mudança de paradigmas e de mentalidades, caso queiramos ver na crise o momentum para alterar o estado de coisas a que chegámos. Algumas sugestões...

Dimensão política / social: aprofundamento da democracia participativa através de iniciativas regulares: orçamento participativo, planos estratégicos de cidade, debates acerca de projectos futuros colectivos, capacitar as pessoas com menores capitais ou socialmente desfavorecidas...

Dimensão cultural: ver a cultura como um conjunto de capacidades individuais e colectivas a desenvolver e não como a dose de entretenimento merecida e apoiada pelo poder local. A cultura como cidadania simbólica e expressiva, a cultura como conhecimento, ciência e criatividade...

Dimensão económica: a economia criativa e do conhecimento podem ser implementadas em diversas cidades desde que haja um trabalho sério e articulado e não apenas o seguimento da ultima moda urbana. As artes representam vantagens competitivas para outras áreas de negócio, um hotel local pode oferecer pacotes de escapadinhas aos seus clientes em que a cultura seja um elemento diferenciador.

Dimensão ecológica: integrar o rural no urbano, aproximar as pessoas da natureza de modo a provocar uma consciencialização dos ecossistemas e da biodiversidade. Promover novos hábitos de consumo e alimentação saudáveis e menos poluentes...

Rui Matoso (rui.matoso@gmail.com)

http://www.culturaviva.com.pt/
publicado por JCM às 09:28 | comentar | favorito
07
Dez 10

Desafio

 

‎'Cidades pela Retoma' vem desafiar-vos a partilhar reflexões sobre a temática das cidades e a retoma económica. Os textos devem ser enviados para noeconomicrecovery@gmail.com e não podem ultrapassar 1 folha A4. Após análise editorial, os textos seleccionados serão publicados total ou parcialmente no blogue, com notícia no FB e mailing-list. Participe nesta reflexão colectiva!

 

publicado por JCM às 00:05 | comentar | favorito
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06
Dez 10

Ernâni Lopes, as cidades e a 'Agenda para o Crescimento'

[contributo para a reflexão]

A propósito da tão ansiada 'Agenda para o Crescimento' talvez valha a pena relembrar as recomendações que o Prof. Ernâni Lopes formulou em 2006 quando sugeriu que os 'agentes económicos, sociais e culturais deveriam ter coragem para reinventar a economia portuguesa e o próprio País' e que essa reinvenção tinha um 'terreno privilegiado' nas áreas do 'turismo, ambiente, serviços de valor acrescentado e nas cidades' (*1).

Na linha desta recomendação, um grupo de especialistas mundiais discutem esta semana em Chicago (*2) os desafios da economia mundial, com particular atenção para um dos temas sugeridos por Ernani Lopes, as cidades.

No lançamento dessa reflexão, os organizadores referem que existe a convicção que a aposta económica tem de ser orientada para 'sectores exportadores, actividades de baixo carbono, inovadoras e de elevado efeito multiplicador' e que essa aposta se cruza de forma determinante com as principais áreas urbanas e metropolitanas pois elas constituem os 'núcleos de concentração económica, social e de conhecimento e são os principais interfaces onde se geram ideias e produzem bens e serviços de valor económico'.

Num momento em que se inicia o desenho da nossa 'Agenda para o Crescimento', recomenda-se a ponderação destas histórias que se conjugam no relevo que concedem ao papel das cidades na promoção do 'crescimento económico', amplamente referenciado na literatura da especialidade e em recomendações da União Europeia.

A pertinência e complexidade dessa eventual aposta impõe uma cuidadosa reflexão sobre os 'temas chave' da agenda e sobre a metodologia adequada a uma real mobilização dos agentes, autarcas e comunidades.

JCM


*1 (http://www2.saer.pt/index.php?lop=conteudo&op=f7177163c833dff4b38fc8d2872f1ec6&id=202cb962ac59075b964b07152d234b70 e http://videos.sapo.pt/KoeLVcMSljv0C9znG68i)

*2 (http://www.urban-age.net/conferences/chicago/)
publicado por JCM às 23:42 | comentar | favorito
06
Dez 10

As cidades e a 'agenda para o crescimento']

Urban Age: a worldwide investigation into the future of cities - 'summit is the culmination of years of research devoted to uncovering the true potential of cities and metropolitan areas across the globe'
http://www.urban-age.net/conferences/chicago/

http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma
publicado por JCM às 00:00 | comentar | favorito
04
Dez 10
04
Dez 10

Primeiras Conclusões da Conferência Cidades pela Retoma | Faro | 3 de Dezembro

Realizou-se ontem à noite em Faro a segunda conferência do Movimento ‘Cidades pela Retoma’ organizada pela Associação Faro 1540 (http://www.faro1540.org/).

Apesar da noite fria a sala da Sociedade Recreativa Artística Farense encheu-se para ouvir os três conferencistas convidados pela organização: Eng.º Macário Correia, Presidente da Câmara de Faro, Professor Ilídio Mestre, Director do Instituto Superior de Engenharia da U Algarve e Professor António Rosa Mendes, professor universitário e Comissário da Faro Capital da Cultura 2005.

Como principais conclusões regista-se o seguinte (notas enviadas por Bruno de Azevedo Lage):

  • Faro nos últimos 25 anos foi sujeita a uma série de atentados urbanísticos, onde reinava o caos e não existia uma política de ordenamento estruturada e pensada;
  • A vida no centro urbano de Faro desaparece a partir das 18h00 (e em algumas zonas já é uma cidade fantasma a toda a hora do dia e da noite com uma imensidão de edifícios devolutos e altamente degradados);
  • Reabilitar o casco urbano é fundamental para trazer mais vida ao centro da cidade e consequentemente reavivar a economia local - com residências para estudantes universitários, apoios para o arrendamento jovem, residenciais ‘low-cost’/pousadas da juventude, ateliers para artistas, espaços culturais; Gente atrai mais gente!
  • Contudo, não se pode pensar em reabilitar só o casco velho da cidade, urge reabilitar e reestruturar a periferia da cidade que está de igual modo morta e esquecida. Esta medida visa essencialmente criar novas centralidades;
  • Urge preservar e promover a zona histórica da cidade como forma de atrair o turismo cultural e consequentemente com mais poder de compra (Ironicamente Faro apesar de ser a capital da região mais turística do país, não tem turismo);
  • É necessário aumentar a oferta hoteleira na cidade, mas para isso criar pólos atractivos para os turistas terem interesse em vir à cidade;
  • Apostar na produção e promoção do produto regional (medronho, o vinho algarvio, a laranja, a alfarroba, gastronomia);
  • A Universidade é um pólo económico muito importante para a cidade, mas para além do dinheiro que os estudantes geram, esta (cidade) não aproveita a massa crítica e o conhecimento que a universidade oferece (à excepção da Faro1540 que constantemente vai buscar essa massa critica à UAlg para os seus eventos). Sugeriu-se parcerias entre a UAlg e a autarquia e outras instituições para se desenvolverem projectos na área da arquitectura, urbanismo, ambiente, turismo e no mar

A organização pretende realizar uma segunda conferência ‘Cidades pela Retoma’ sobre o tema das acessibilidades e transportes pois esse é um dos grandes problemas de Faro e da região do Algarve.

Mais informações: http://www.faro1540.org/

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03
Dez 10

[hoje] Conferência 'Cidades pela Retoma | Faro' - 3 de Dezembro

Conferência 'Cidades pela Retoma | Faro'
3 de Dezembro (6ª feira), às 21h30
iniciativa promovida pela associação FARO 1540 (http://www.faro1540.org/)

Movimento Cívico 'Cidades pela Retoma'
http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/
http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma
publicado por JCM às 18:16 | comentar | favorito
03
Dez 10

Rua das Ideias n.º 10 - concurso de ideias para preencher espaços públicos com trabalhos artísticos

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'O executivo da Câmara de Aveiro aprovou a abertura de concurso de ideias para preencher espaços públicos com trabalhos artísticos'

http://www.noticiasdeaveiro.pt/pt/20671/ceramistas-vao-ser-chamados-a-preencher-mais-espacos-publicos-da-cidade-de-avei/
(foto http://www.flickr.com/photos/cjulio/3507521043 )
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Trata-se de uma excelente ideia. Reflectindo sobre o espaço público a iniciativa irá permitir o envolvimento dos artistas locais e da indústria cerâmica que se dispõe a fornecer material para as obras seleccionadas.
JCM
publicado por JCM às 00:58 | comentar | favorito
02
Dez 10

Rua das Ideias n.º 9 - Estaleiros artísticos

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?'Estaleiro para incentivar a criação na música e no cinema' [Vila do Conde]
http://jornal.publico.pt/noticia/02-12-2010/vila-do-conde-vai-ter-um-estaleiro-para--incentivar-criacao-na-musica-e-no-cinema-20742247.htm
publicado por JCM às 23:20 | comentar | favorito

Rua das Ideias, n.º 8 - Public Art

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'The City of El Paso Public Art Program and the Museums and Cultural Affairs Department invite local artists to apply for an artist apprentice opportunity to work alongside renowned public artist Vicki Scuri in her commission to develop a menu of public art opportunities for Interstate 10'
http://www.elpasotexas.gov/mcad/publicart.asp
http://www.elpasotexas.gov/mcad/_documents/CallToArtists-RFQI10Apprentice.pdf
publicado por JCM às 23:18 | comentar | favorito
02
Dez 10

'Cidades pela Retoma | Faro' - 3 de Dezembro

Conferência 'Cidades pela Retoma | Faro' - 3 de Dezembro (6ª feira), às 21h30, promovido pela associação FARO 1540
(http://www.faro1540.org)
publicado por JCM às 00:30 | comentar | favorito