27
Out 11
27
Out 11

CICLO DE DEBATES PRU @ CENTRO DE ARTE DE OVAR

image001.jpg


http://issuu.com/cmovar/docs/programa_debate?mode=window&backgroundColor=%23222222
publicado por JCM às 16:31 | comentar | favorito
25
Out 11

um New Deal para la ciudad europea

‎'Se olvida así que la política territorial y el urbanismo, y los profesionales que a ello se dedican, han tenido responsabilidades destacadas en el origen de la crisis [sea por haber contribuido activamente a generar las circunstancias en las que nos encontramos - 800.000 unidades de vivienda, cada una de ellas diseñada por un arquitecto y colocada en el territorio por un urbanista, sea por no haber sabido oponernos con suficiente fuerza a la deriva que nos llevaba a ellas] y pueden contribuir a salir de ella [diseñar un urbanismo para la crisis que tenga como preocupación principal evitar la degradación de la ciudad, asegurar la vivienda, hacer frente a los efectos de la segregación, proveer servicios, contribuir a generar empleo - um New Deal para la ciudad europea]' Oriol Nel·lo

http://www.elperiodico.com/es/noticias/opinion/urbanismo-crisis-1187727


 

 

publicado por JCM às 23:45 | comentar | favorito
25
Out 11

Crise, 1930

crise 1930.JPG


Crise 1930/2011
publicado por JCM às 14:52 | comentar | ver comentários (1) | favorito
21
Out 11

'More small firms means more jobs'

suggestion from Michael Shuman
'The Secret to Job Growth: Think Small - More small firms means more jobs'
Harvard Business Review
http://hbr.org/2010/07/the-secret-to-job-growth-think-small/ar/1
publicado por JCM às 16:41 | comentar | favorito

Bravo, Mouraria! (texto de João Seixas, publicado no jornal Público)


Assisti com vivo prazer ao anúncio das propostas vencedoras do Orçamento Participativo (OP) de Lisboa para 2011/2012. Dezoito mil pessoas votaram em 228 projectos propostos pelos mais variados cidadãos e colectivos da cidade, de associações de moradores à própria Universidade.

O projecto mais votado intitula-se ‘Há vida na Mouraria’. Como dizia a reportagem do Público, “não é fácil traduzir a proposta”, pois “define-se como um projecto de acção social mas não se conhecem bem as suas fronteiras”. Mas o facto de este projecto ter ficado em primeiro lugar no OP é uma notícia extraordinária para a cidade. Por múltiplas razões. Porque este foi construído numa conjugação de ideias vindas de mais de 20 diferentes agentes – associativos, públicos e privados, Juntas de Freguesia, a própria Câmara Municipal que ajudou à integração. Porque surge de uma estratégia prévia colectivamente discutida (o Plano de Desenvolvimento Comunitário da Mouraria), bem como de propostas de cidadãos comuns. Porque o projecto tem ambições de chegar ao colectivo sem necessitar de se ancorar numa ‘grande obra’ (um pavilhão, uma piscina, uma estátua), antes se manifestando nos quotidianos de cada habitante e passeante. Porque este é um bairro cujas principais características passam por uma conjugação de grande diversidade e riqueza humana com precariedade urbana, mostrando uma força cívica maior que a larga maioria dos bairros mais qualificados da cidade.

O projecto propõe acções e programações muito concretas, que incentivarão à melhoria das relações interpessoais e à valorização do património imaterial do bairro. Envolvendo as suas gentes, desenvolvendo actividades e empregos, atendendo à inclusão dos mais desfavorecidos, formando conhecimentos e saberes. O projecto atende a novas vivências urbanas e a uma nova cultura de associativismo e de cidadania, aproximando os espaços de cada indivíduo dos espaços da cidade para, com actividades múltiplas e com muita cor, fazer comunidade.

O OP existe em Portugal há diversos anos, do Algarve ao Minho; mas são ainda poucos os territórios que o desenvolvem. Pelo mundo fora, tem sido motor de milhares de processos de criação e de envolvimento, alicerçando comunidades. Sustentando as incríveis energias que há nas cidades, quando os laços fracos se tornam mais fortes, através de projectos mais colectivos e mais democráticos. Conciliando a administração com a cidadania, e alargando fronteiras da própria política, portanto.

Temem os críticos que o OP debilite a responsabilidade de governar, colocando o poder na rua. Parece-me bem o contrário: o OP acrescenta motivação cívica e capacidade de acção à cidade, ao mesmo tempo que aproxima e responsabiliza e aproxima mais as administrações. E com exemplos tão bons como este da Mouraria, diria mesmo que multiplica a qualidade da governação e a qualidade da cidadania, dos direitos e deveres de ambos.

Isto parece-me pão quente para a faminta boca da nossa sociedade nestes tempos de crise; de crise da própria confiança e democracia. O nosso futuro será sem dúvida melhor se em cada bairro, em cada cidade, conseguirmos construir, através de uma série de princípios e direitos de base (democracia, diversidade, abertura, responsabilidade) movimentos abertos e partilhados. Onde os diferentes agentes se sintam responsáveis por estratégias e projectos colectivos, assim se sentindo parte plena das dinâmicas da sua cidade e do seu bairro. Uma cumplicidade em constante metabolismo. 

Nos tempos que aí vêm – na verdade, nos tempos que já aí estão – vamos precisar muitíssimo deste sentido de comunidade. Do reconhecimento da força da junção de laços fracos – e laços diversos e diferentes, claro. Este exemplo vencedor, vindo justamente de onde há imensa diversidade, mostra como esta é central para a própria criatividade e evolução humana. Por tudo isto, bravo Mouraria!

João Seixas, Geógrafo

publicado por JCM às 12:51 | comentar | favorito
21
Out 11

O que eu preciso de saber sobre… AS CIDADES (texto de João Seixas, publicado na VISÃO)

O QUE É UMA CIDADE? A cidade é, provavelmente, seja ela Roma ou Tóquio, Tombouctou ou Lisboa, a mais complexa e colectiva realização humana alguma vez concebida na história. A cidade é uma construção contínua de habitats, de agrupamentos de populações num determinado espaço geográfico, onde ocorrem relações e intercâmbios da natureza mais diversa: bens, serviços, conhecimentos, simbolismos, afectos, política. Para tal, a cidade sustenta-se em estruturas físicas (de habitação, de circulação, de comunicação) e em redes de distribuição (de bens essenciais, de energia, de informação). Para tudo isto funcionar, a cidade exige valores e normas de habitabilidade, de relacionamento, de produção e de reprodução, de mobilidade.

As cidades são notáveis acumuladores de energia humana. Por isso provocam enormes externalidades, quer positivas, quer negativas. Daí o seu enorme fascínio, com suas luzes e sombras, e serem vistas e sentidas, em simultâneo, como horrendos infernos ou fabulosos édens. Daí serem chave das civilizações, de Atenas a Roma e de Nova Iorque a Xangai. Daí serem a chave da humanidade. As cidades são os grandes pólos vertebradores do planeta, os focos de irradiação cultural, os centros de inovação tecnológica, os motores da economia mundial, os leit-motivs de ficção e de utopia, os esteios da transformação social.

CIDADE, SOCIEDADE E POLÍTICA. Desde Platão que sabemos que a Polis – a cidade e a política – é, antes de tudo, a cidadania. E desde Aristóteles que sabemos que só nos tornamos verdadeiramente humanos através da participação e da acção na comunidade. A governação, a regulação e o exercício do urbanismo na cidade envolvem poder, território, organização e cidadania. Em democracia, a cidade exige uma governação sustentada em normas, valores e processos colectivos, não podendo deixar-se cair no simples favorecimento de interesses e de comunidades parciais.

De forma simples, poder-se-ão colocar por quatro grandes ordens de pensamento e de acção, os compromissos de desenvolvimento urbano: na forma da cidade, e nos dilemas entre compacidade e dispersão pelos territórios onde estas se estruturam; na funcionalidade da cidade, e nos dilemas entre complexidade e especialização; na coesão social, e nas escolhas entre integração ou segregação social; no seu reconhecimento e identidade, e no aprofundamento da nossa cumplicidade com ela, ou numa fragmentação cognitiva.

 

A CIDADE, HOJE E AMANHÃ. A condição urbana é hoje metáfora viva dos nossos paradoxos, dilemas e possibilidades. A maioria das cidades de hoje são meta-cidades ou mesmo hiper-cidades, estendidas as suas influências por vastas escalas e territórios espacio-relacionais e pelas mais diversas percepções de quotidianos, de sofrimentos e de oportunidades.

Nesta época fascinante, novas e magníficas oportunidades – de desenvolvimento, de inclusão e de justiça, de qualidade de vida – se podem formar e expandir. Em Faro, em Copenhaga ou em Nairobi. Como as consolidar? Com inteligência, estratégia e compromisso colectivo. Inteligência global, decerto, mas muita inteligência local, desde logo. O sucesso de cada polis dependerá, cada vez mais, de si própria, e em si própria. Re-identificando o indivíduo e a sociedade, com a cidade e tudo o que ela significa. Como escreveu Jorge Luís Borges, “a cidade impõe-nos o terrível dever da esperança”. E sobre o papel e o lugar de cada cidade para o nosso amanhã, diria como Galileu, quando observava as estrelas no seu telescópio, e foi questionado sobre qual a estrela central do universo: “Toda, e qualquer estrela, pode ser o centro”.

 

João Seixas, Geógrafo

 

publicado por JCM às 12:50 | comentar | favorito
20
Out 11
20
Out 11

Três belos textos a não perder!

O que podemos fazer para mudar algo?
'O que se pode fazer é reorganizar a produção. Vamos fazê-las nas regiões à volta das grandes cidades, vamos tornar a produção local - todos os países o têm. Devíamos também re-localizar os créditos, criar pequenas associações de crédito, pequenos bancos: porque é que os bancos de retalho têm que estar nas mãos dos grandes bancos? Há muito que se pode fazer... Isso vai alterar o poder do mercado financeiro? Não. Mas pode ser um passo no espaço económico em que os locais têm mais controlo e haverá maior resposta às necessidades locais. Para os projectos locais é preciso bancos locais que os financiem. Os bancos locais dependem das pessoas locais, mas devolvem o dinheiro à produtividade local. Seria um pequeno passo para criar um outro espaço económico. Mas isto não é apenas uma questão económica, depende da política económica'
"Os 'sem poder' estão a fazer História" (Saskia Sassen, Público 15/10)
http://www.publico.pt/Mundo/os-sem-poder-estao-a-fazer-historia_1516631?p=3

'People on streets presage change. But do they as well signal transition? Transition means more than mere change: "transition" means a passage from a here to a there - but in the case of people on street or city squares only the "here" from which they wish to escape is given, but the "there" at which they aim is at best wrapped in fog. People took to streets in the hope to find an alternative society; what they've found thus far is the means to get rid of the present one; more to the point though, to get rid of one of its features on which their diffuse indignation - resentment, vexation, rancour and anger - have momentarily focused (...)
Contrary to the electronically inspired and boosted expectation, it takes time - a long time - to make the impossible possible. It also takes a lot of thought, debate, patience and endurance to accomplish. All such qualities remain thus far in a rather short supply - and in all probability will remain so as long as we are short ofsocial settings more amenable to their production than the presently common ones'.
'The 'Why's' and 'What for's' of People taking to the Streets', Zygmunt Bauman (Social Europe)
http://www.social-europe.eu/2011/10/the-why%E2%80%99s-and-what-for%E2%80%99s-of-people-taking-to-the-streets/

'OWS is a great boon to the extent that it helps draw attention and build effective opposition to the unjust mechanisms of upward redistribution and to the many flaws in our political economy responsible for the disproportionate influence of the wealthy and powerful over the rules that profoundly affect us all'
OWS - Leaderless, consensus-based participatory democracy and its discontents (The Economist)
http://www.economist.com/blogs/democracyinamerica/2011/10/occupy-wall-street-3
publicado por JCM às 23:51 | comentar | favorito
18
Out 11
18
Out 11

'Future Places' & 'Creative Entrepreneurship'

Começa amanhã no Porto o Festival 'Future Places' (http://futureplaces.up.pt/) e em Tallin, na Estónia, a conferência 'Creative Entrepreneurship for a Competitive Economy' (http://www.creativeestonia.eu/). Esta última com transmissão em directo (vídeo online stream).
JCM
publicado por JCM às 22:45 | comentar | favorito
12
Out 11
12
Out 11

Cidades pela Retoma no Cidadania 2.0

O 'Cidades pela Retoma' vai estar presente amanhã em Lisboa no Cidadania 2.0 (http://cidadania20.com/), com uma intervenção feito pelo João Seixas, Rodrigo Cardoso e por mim (o powerpoint ficará disponível no fim do dia em http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/).
O programa da conferência é muito interessante e justifica por isso a vossa presença. Ainda assim se não puderem estar presentes a organização vai providenciar a emissão via web de duas comunicações. A do 'Cidades pela Retoma' será uma delas (por volta das 15:45 em http://cidadania20.com/).
JCM
publicado por JCM às 23:58 | comentar | favorito
11
Out 11
11
Out 11

Aliança

http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/80744.html

https://www.facebook.com/CidadespelaRetoma

 

 

 

publicado por JCM às 14:01 | comentar | favorito
09
Out 11
09
Out 11

1º Simpósio de Economia Criativa (Lisboa)

?1º Simpósio de Economia Criativa, iniciativa da experimentadesign no âmbito da EXD11, no Lounging Space, 13 e 14 de Outubro. Inscrições em welcome@experimentadesign.pt sujeitas à lotação da sala (max 240 pessoas).
http://www.experimenta.pt/2011/pt/02-04-04.html
publicado por JCM às 19:20 | comentar | favorito
08
Out 11
08
Out 11

Agenda Local Colaborativa pela Retoma, um contributo para reflexão

publicado por JCM às 00:09 | comentar | favorito
06
Out 11

uma pequena provocação, por uma 'agenda local colaborativa pela retoma'

Meus caros
Imaginem que cada uma das nossas 305 comunidades locais se organizava para identificar um conjunto de ideias/projectos de baixo-custo e alto-impacto que procurasse resolver problemas/valorizar potencialidades dos seus centros urbanos, em diversos domínios (em temas tão variados quanto: cultura, mobilidade, recuperação de edificios devolutos, envelhecimento activo, solidariedade, agricultura de proximidade).
Que os cidadãos (individual ou colectivamente organizados) eram parte activa na reflexão e identificação das ideias. Que se mobilizavam diferentes saberes (ciencia, arte, empreendedorismo, território) para qualificar essas ideias. E que se alinhavam energias e formas de finaciamento local para que as ideias ganhassem vida. Por último que durante este processo se iriam partilhando entre as 305 comunidades as experiências, as aprendizagens e os resultados.

Não valerá a pena experimentar?

JCM



http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/

https://www.facebook.com/CidadespelaRetoma
publicado por JCM às 14:00 | comentar | favorito
06
Out 11

Agenda Local Colaborativa pela Retoma

Imaginem que cada uma das nossas 305 comunidades locais se organizava para identificar um conjunto de ideias/projectos de baixo-custo e alto-impacto que procurasse resolver problemas/valorizar potencialidades dos seus centros urbanos, em diversos domínios (cultura, mobilidade, recuperação de edificios devolutos, agricultura de proximidade, envelhecimento activo).

Que os cidadãos (individual ou colectivamente organizados) eram parte activa na reflexão e identificação das ideias. Que se mobilizavam diferentes saberes (ciencia, arte, empreendedorismo, território) para qualificar essas ideias. E que se alinhavam energias e formas de finaciamento local para que as ideias ganhassem vida. Por último que durante este processo se iriam partilhando entre as 305 comunidades as experiências, as aprendizagens e os resultados.  

Não valerá a pena experimentar?

JCM

publicado por JCM às 13:36 | comentar | favorito
05
Out 11

Cidadania 2.0: faltam 8 dias

[divulgação]

Faltam 8 dias para o Cidadania 2.0 de 2011!
Esta mensagem pretende informá-lo(a) do que se tem passado em torno do Cidadania 2.0.
1. A votação das iniciativas e ideias que foram propostas para apresentação durante o Cidadania 2.0 terminou e já sabemos quais os projectos que será apresentados e dabatidos.
http://cidadania20.com/2011/10/01/propostas-vencedoras/
2. Estão disponíveis mais dois vídeos do Cidadania 2.0 de 2010: Álvaro Gregório do Governo do Estado de São Paulo que fala do iGovSP e Sérgio Gomes do Público com "A Minha Rua é Notícia".
http://cidadania20.com/2011/10/04/apresentacao-do-igovsp/
http://cidadania20.com/2011/09/27/a-minha-rua-e-noticia-2010/
3. A A2 Comunicação junta-se à Quidgest na lista dos patrocinadores do Cidadania 2.0.
http://cidadania20.com/2011/10/05/a2comunicacao-patrocina/
O programa do Cidadania 2.0 está muito bom. Será um desfile de 14 casos contados na voz dos seus protagonistas. Connosco irão partilhar as motivações, os obstáculos, o investimento necessário, os próximos passos, etc..
Voltamos a referir que... faltam 8 dias para o Cidadania 2.0! Se pretende vir assistir, bloqueie o dia 13 na agenda e inscreva-se: a participação é gratuita mas a inscrição é obrigatória (e sujeita a confirmação da nossa parte).
http://cidadania20.com/inscricao
Se vier de fora de Lisboa e precisar de pernoitar na cidade, considere aproveitar o generoso apoio do Hotel Florida, bem perto do local de
realização do Cidadania 2.0.
http://cidadania20.com/localizacao/
Agradecemos o seu interesse no Cidadania 2.0 e pedimos para nos apoiar passando palavra.
. Twitter: http://www.twitter.com/cidadania20
. Facebook: https://www.facebook.com/event.php?eid=205965516113476
Até à próxima.
A organização
Cidadania 2.0: Novas Plataformas para o Diálogo em Sociedade
Lisboa, 13 Outubro 2011
http://cidadania20.com
publicado por JCM às 23:16 | comentar | favorito
05
Out 11

reforma da administração local autárquica

Os documentos da proposta da reforma da administração local autárquica podem ser lidos aqui http://www.portugal.gov.pt/PT/GC19/GOVERNO/MINISTERIOS/MAAP/REFADMINLOCAL/Pages/Reforma_Administracao_Local.aspx

publicado por JCM às 00:31 | comentar | favorito
03
Out 11
03
Out 11

Por uma ‘‎Agenda Local Colaborativa pela Retoma’

Vivemos, provavelmente, um dos períodos mais complexos e difíceis da nossa existência recente, com sinais diários de uma profunda crise financeira, económica e social cujas consequências, dizem, ainda estão longe de ser percebidas.

Como habitualmente, gastamos as nossas energias a tentar encontrar os culpados da crise, carpindo mágoas sobre as suas consequências, mas reflectindo pouco sobre as razões que a originaram ou esquecendo de procurar identificar formas criativas dela sair.

Sendo consensual que as medidas até agora implementadas (cortes na despesa e aumento de impostos) têm um alcance limitado e não são suficientes para resolver o problema de fundo, urge procurar encontrar respostas para duas questões centrais. Como estimular o desenvolvimento económico e social, isto é, como gerar novos empregos e criar riqueza, e, segundo, como fazê-lo de forma colaborativa, isto é como podemos mobilizar as diferentes forças e energias cívicas, intelectuais, produtivas e poderes públicos para, em conjunto, encontrarmos soluções com benefícios mútuos?

Não estando sozinhos neste dilema, talvez valha a pena olhar para a forma como outros países têm procurado responder às questões colocadas. Das várias medidas que têm vindo a ser tomadas salienta-se a crescente importância que é atribuída ao papel das cidades na promoção do desenvolvimento económico e social e na criação de emprego (Europa 2020 - Smart, Sustainable and Inclusive Economy & Territorial CohesionUS Urban Policy –American Jobs Act American Recovery and Reinvestment Act ).

Em Portugal esta aposta tem vindo a ser discutido de forma ténue. Ainda assim, têm vindo a surgir algumas iniciativas que visam chamar a atenção para a sua oportunidade. Do conjunto salienta-se as iniciativas promovidas no âmbito da plataforma ‘Cidades pela Retoma’ (https://www.facebook.com/CidadespelaRetoma) que, de alguma forma, têm procurado reflectir sobre o papel das cidades e das suas comunidades na Retoma, apelando à necessidade de um novo quadro de transição do nosso modelo de organização e desenvolvimento económico, social e espacial.

Na sequência de alguma reflexão produzida, tem vindo a ser discutida a pertinência e oportunidade de se produzir uma ‘AGENDA LOCAL COLABORATIVA PARA A RETOMA ‘, um desafio que estimule o envolvimento das comunidades locais, agentes sociais e económicos, poderes municipais e instituições do sistema científico e tecnológico na procura de respostas criativas para o crescimento e desenvolvimento económico à escala local.

Para isso, foi sugerido o lançamento de um desafio colaborativo que vise sugerir ou identificar iniciativas, projectos ou acções de ‘baixo-custo e alto-impacto’ que respondam à resolução de problemas concretos ou à valorização de potencialidades das cidades num conjunto de domínios relevantes, por exemplo na economia da cultura, na regeneração e construção sustentável, na economia social e solidária, no envelhecimento activo, na mobilidade sustentável, na alimentação local e na relação cidade/campo.

As acções a sugerir devem responder ao interesse colectivo, ser de baixo custo, de localização cirúrgica e de execução rápida e visível. Para além disso, devem valorizar a ligação entre conhecimento científico e empírico e gerar impacto positivo nas comunidades locais (emprego, criação de valor, melhoria qualidade de vida).

Este ambicioso exercício exigirá uma forte mobilização à escala local, envolvendo cidadãos, organizações e autarquias locais, com vista à construção, validação, disseminação e apoio à implementação das ideias/projectos e deverá procurar identificar sistemas inovadores de financiamento local (‘Crowdfunding’) em cada cidade, tal como foi sugerido recentemente por Obama no seu American Jobs Act.

Está na altura das comunidades locais e seus responsáveis autárquicos se mobilizarem para passar a ter um papel mais activo na procura de soluções para retoma. Deixo-vos pois o desafio para comparecerem na conferência que a associação Faro1540 vai organizar no dia 7 de Outubro(http://www.faro1540.org/?p=1075) para que contribuam com os vossos comentários e sugestões para o desenvolvimento deste estimulante desafio colectivo. 

José Carlos Mota, Investigador e docente do DCSPT - Universidade de Aveiro (jcmota@ua.pt)

publicado por JCM às 23:07 | comentar | favorito
02
Out 11
02
Out 11

2º SEMINÁRIO DE REABILITAÇÃO URBANA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

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2º SEMINÁRIO DE REABILITAÇÃO URBANA E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL http://www.faro1540.org/?p=1075

publicado por JCM às 23:30 | comentar | favorito
01
Out 11
01
Out 11

Respigos da conferência 'uma Economia com Futuro'

Respigos da conferência 'uma Economia com Futuro'

(http://www.economiacomfuturo.org/)

 

O problema de fundo [olhando para Portugal]

  • ‘Na história esta geração vai ser vista de uma forma muito desagradável’ JCC
  • ‘Vivemos crises sobrepostas, …, com orientações bipolares da Comissão Europeia: Keynesianas (fomentar intervenção e investimento público) logo seguidas de recomendações de forte austeridade (contenção de investimento pública); …; Euro não está preparado para situações de stress’ AMF
  • ‘[nos últimos anos] o investimento público fez o contrário do que devia; deu orientações de rentabilidade ao investimento em não transaccionáveis (obras públicas – auto-estradas), desqualificando a mão de obra’ AMF
  • ‘Acreditou-se que a revolução tecnológica ia mudar o paradigma de produtividade e de modernização da sociedade portuguesa’ AMF
  • ‘[os últimos anos] conduziram-nos a um patamar de coesão social muito pesado’ AMF
  • ‘Os comportamentos (i)racionais do mercados (milhares de Km dos produtos agrícolas)’ MS
  • ‘A caridade é o discurso ‘main stream’ da economia sobre o social’ AMF
  •  ‘Não existe pensamento sobre a sustentabilidade dos territórios de baixa densidade’ AMF
  • ‘Confusão entre o peso e o papel do Estado; apesar de pesado o papel, às vezes, é irrelevante’ AMF
  • ‘Não estão assegurados os princípios de transparência do Estado e da coerência da acção pública’ AMF
  • ‘Contraste entre a digladiação no momento da distribuição orçamental e a apatia quando se fala de accountability’ AMF
  • ‘Sociedade civil é rudimentar em Portugal e precisa de ser estimulada; mas não é eleita, falta-lhe legitimidade’ MS
  • ‘Não é por falta de conhecimento dos problemas que a acção falha’ JR
  • ‘A asfixia que os tutólogos [‘sabem de tudo’] produzem na democracia, na participação, nas instituições’ JR
  • ‘Evoluímos para uma economia de baixos salários e de crédito caro, sem dimensão social’ JR
  • ‘Crise é a grande fronteira com que nos debatemos’ JR
  • ‘Actualmente as reformas estruturais visam criar condições para um melhor funcionamento da economia do mercado’ AMF
  • ‘Assiste-se a um ocultamento do valor da mudança estrutural (cujos resultados só são visíveis no médio/longo prazo)’ AMF

 

Uma nova visão conceptual do futuro, da sociedade e da economia - EL

  • ‘Precisamos mudar o paradigma actual em que a economia funciona como uma competição baseada na rivalidade (em que uns ganham e outros perdem) e num contrato (procura preservar os riscos do que os outros nos possam fazer), para um novo quadro antropológico mais rico e complexo, fundado nos conceitos de interdependência, partenariado, co-responsabilização, reciprocidade, justiça e sentido de pertença comum e na noção de aliança (partilha de riscos) e de promessa (construção colectiva de um futuro imprevisível; representação do futuro, antecipa o que poderá acontecer e aumenta o compromisso sobre o que se vai realizar, através do desejo de um futuro melhor)’
  • ‘Temos de dar relevo à qualidade das relações geradas na economia e não só a quantidade dos produtos produzidos’
  • ‘Construir um certo tipo de sociedade justa, onde se possa viver com dignidade, com uma cultura própria e colectiva, em função de projectos comuns’
  • ‘Economia social e solidária é marginal na sua dimensão, mas mostram que é possível uma outra economia, não só a baseada na rivalidade e competição’
  • ‘A questão passa por como transformar o marginal em central ou o micro em macro’
  • ‘ Economia como fronteira, não como lugar que opõe interesses individuais, mas também espaço onde se cruzam interesses comuns, não sacrificando os interesses individuais, mas a partir desses interesses construir interesses comuns’
  • ‘É necessária uma nova relação produtor/consumidor, uma nova relação de aliança e promessa’ [a economia social e solidária]

 

Ideias fortes para organizar o futuro (olhando para Portugal)

  • ‘Expor a realidade crua e mostrar a vontade para a resolver’ SC
  • ‘Aproveitar e rentabilizar o conhecimento e aplicá-lo na realidade e nas empresas’ LP
  • ‘Crescimento sem mudança estrutural é impossível em Portugal’ AMF
  •  ‘Reset (reformatação) da despesa pública’ AMF
  • ‘Discutir o discurso main-stream’ AMF
  • ‘Equilibrar coesão social e crescimento económico’ AMF
  •  ‘As autoridades não podem matar os sinais de mudança, têm de potenciar as energias que podem mudar o estado de coisas, isto é valorizar os factores de dinamicidade de transformação’ AMF
  • ‘O social não é para ser percebido nas crises, tem de ser intrínseco ao desenvolvimento económico, tem de entrar na equação global e ser também participado pelas empresas, não só pelo Estado’ AMF
  •  ‘O crescimento económico tem de ter um cunho redistributivo, pois o distributivismo das políticas sociais é fraco (não é suficiente para diminuir as disparidades)’ AMF
  • ‘Necessidade [obrigação] de pensarmos o futuro do país a partir do território e do local’ AMF
  • ‘Melhorar a qualidade de vida das pessoas no local onde vivem’ MS
  • ‘Valorizar os recursos de proximidade, no âmbito de uma estratégia nacional’ MS
  • ‘Pensar global, agir local e viral’ JWM
  • ‘Articulação virtuosa entre território, comunidades e economia’ JCA
  • Reconhecer as importantes mudanças estruturais ocorridas na última década (mudanças lentas, mas espessas): exportações de produtos intensivos em tecnologia; conhecimento valorizado pelas empresas; resiliência das empresas exportadoras dos sectores tradicionais; atmosfera industrial resiliente; reconhecimento do valor do uso intensivo TIC; ajustamento das ofertas/procuras das qualificações; crescente inovação social; deixou de haver sectores mas empresas (a lógica sectorial esvaiu-se)’ AMF

 

 

Ideias fortes para organizar o futuro (olhando para experiências internacionais relevantes)

 

Propostas para o futuro

  • Uma agenda para o futuro: apelo ao pluralismo do debate público; revisão do papel do BCE (mutualização do endividamento e dívida soberana); Europa resistente à austeridade (novo compromisso da democracia com a coesão social); dignificação e valorização do trabalho, potenciando a natureza redistributiva dos rendimentos que gera’; valorizar o papel social do crédito (aumentar o controle público sobre o sistema bancário); uma política económica com noção e escala de tempo, equilibrando a visão a curto e a médio prazo; mobilização de recursos para a estabilização da dívida mas também para o crescimento económico (geração de riqueza e emprego); JR
  •  ‘A via mais segura [para preparar o futuro] passa por um choque de qualificações, equilibrando o capital humano com o financeiro’ AMF
  • ‘É fundamental aprofundar o debate sobre a reformatação da despesa pública, sobre novas escolhas públicas, um debate que não é [só] de natureza ideológica’ AMF
  • ‘Estudar formas de financiamento alternativas (por ex: poupança nacional não registada)‘ MS
  • ‘Mobilizar o apoio espontâneo a nível local, suportado pela Administração Central com apoio técnico’ MS
  • ‘Programas de absorção de desemprego, aproveitando as sinergias da economia social (valorização das actividades ao serviço das necessidades) ‘
  •  ‘Potenciar a ‘economia solidária’ pelo carácter virtuoso das suas organizações (maior equidade, menor disparidades, enraizamento local, maior valorização inter-cultural, capacitação trabalhadores e do público alvo)’ JWM
  • ‘Aumentar a competitividade por via de estímulos para a criação de uma cultura generalizada de inovação e empreendedorismo’ JWM
  •  ‘Desafio aos investigadores para mostrarem, disponibilizarem e valorizarem (a utilidade social d) o conhecimento científico que produzem no território onde vivem [ao serviço da resolução de problemas ou da valorização de potenciais locais - acrescento] MS

 

JCC -  José Castro Caldas

EL - Elena Lasida

SC – Seixas da Costa

LP - Luís Portela

AMF - António Manuel Figueiredo

MS - Manuela Silva

JWM - João Wengorovius Meneses

JCA - José Carlos Albino

JR - José Reis

 

Algumas das sugestões apresentadas na conferência estão disponíveis nestes espaços:

 

Economia Social e Solidária

Partilha de experiências e projectos sobre Economia Social e Solidária

http://www.facebook.com/pages/Economia-Social-e-Solid%C3%A1ria-Portugal/298683993480146

 

Cidades pela Retoma

http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/

http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma

 

José Carlos Mota

publicado por JCM às 00:55 | comentar | favorito