Respigos da conferência 'uma Economia com Futuro'

Respigos da conferência 'uma Economia com Futuro'

(http://www.economiacomfuturo.org/)

 

O problema de fundo [olhando para Portugal]

  • ‘Na história esta geração vai ser vista de uma forma muito desagradável’ JCC
  • ‘Vivemos crises sobrepostas, …, com orientações bipolares da Comissão Europeia: Keynesianas (fomentar intervenção e investimento público) logo seguidas de recomendações de forte austeridade (contenção de investimento pública); …; Euro não está preparado para situações de stress’ AMF
  • ‘[nos últimos anos] o investimento público fez o contrário do que devia; deu orientações de rentabilidade ao investimento em não transaccionáveis (obras públicas – auto-estradas), desqualificando a mão de obra’ AMF
  • ‘Acreditou-se que a revolução tecnológica ia mudar o paradigma de produtividade e de modernização da sociedade portuguesa’ AMF
  • ‘[os últimos anos] conduziram-nos a um patamar de coesão social muito pesado’ AMF
  • ‘Os comportamentos (i)racionais do mercados (milhares de Km dos produtos agrícolas)’ MS
  • ‘A caridade é o discurso ‘main stream’ da economia sobre o social’ AMF
  •  ‘Não existe pensamento sobre a sustentabilidade dos territórios de baixa densidade’ AMF
  • ‘Confusão entre o peso e o papel do Estado; apesar de pesado o papel, às vezes, é irrelevante’ AMF
  • ‘Não estão assegurados os princípios de transparência do Estado e da coerência da acção pública’ AMF
  • ‘Contraste entre a digladiação no momento da distribuição orçamental e a apatia quando se fala de accountability’ AMF
  • ‘Sociedade civil é rudimentar em Portugal e precisa de ser estimulada; mas não é eleita, falta-lhe legitimidade’ MS
  • ‘Não é por falta de conhecimento dos problemas que a acção falha’ JR
  • ‘A asfixia que os tutólogos [‘sabem de tudo’] produzem na democracia, na participação, nas instituições’ JR
  • ‘Evoluímos para uma economia de baixos salários e de crédito caro, sem dimensão social’ JR
  • ‘Crise é a grande fronteira com que nos debatemos’ JR
  • ‘Actualmente as reformas estruturais visam criar condições para um melhor funcionamento da economia do mercado’ AMF
  • ‘Assiste-se a um ocultamento do valor da mudança estrutural (cujos resultados só são visíveis no médio/longo prazo)’ AMF

 

Uma nova visão conceptual do futuro, da sociedade e da economia - EL

  • ‘Precisamos mudar o paradigma actual em que a economia funciona como uma competição baseada na rivalidade (em que uns ganham e outros perdem) e num contrato (procura preservar os riscos do que os outros nos possam fazer), para um novo quadro antropológico mais rico e complexo, fundado nos conceitos de interdependência, partenariado, co-responsabilização, reciprocidade, justiça e sentido de pertença comum e na noção de aliança (partilha de riscos) e de promessa (construção colectiva de um futuro imprevisível; representação do futuro, antecipa o que poderá acontecer e aumenta o compromisso sobre o que se vai realizar, através do desejo de um futuro melhor)’
  • ‘Temos de dar relevo à qualidade das relações geradas na economia e não só a quantidade dos produtos produzidos’
  • ‘Construir um certo tipo de sociedade justa, onde se possa viver com dignidade, com uma cultura própria e colectiva, em função de projectos comuns’
  • ‘Economia social e solidária é marginal na sua dimensão, mas mostram que é possível uma outra economia, não só a baseada na rivalidade e competição’
  • ‘A questão passa por como transformar o marginal em central ou o micro em macro’
  • ‘ Economia como fronteira, não como lugar que opõe interesses individuais, mas também espaço onde se cruzam interesses comuns, não sacrificando os interesses individuais, mas a partir desses interesses construir interesses comuns’
  • ‘É necessária uma nova relação produtor/consumidor, uma nova relação de aliança e promessa’ [a economia social e solidária]

 

Ideias fortes para organizar o futuro (olhando para Portugal)

  • ‘Expor a realidade crua e mostrar a vontade para a resolver’ SC
  • ‘Aproveitar e rentabilizar o conhecimento e aplicá-lo na realidade e nas empresas’ LP
  • ‘Crescimento sem mudança estrutural é impossível em Portugal’ AMF
  •  ‘Reset (reformatação) da despesa pública’ AMF
  • ‘Discutir o discurso main-stream’ AMF
  • ‘Equilibrar coesão social e crescimento económico’ AMF
  •  ‘As autoridades não podem matar os sinais de mudança, têm de potenciar as energias que podem mudar o estado de coisas, isto é valorizar os factores de dinamicidade de transformação’ AMF
  • ‘O social não é para ser percebido nas crises, tem de ser intrínseco ao desenvolvimento económico, tem de entrar na equação global e ser também participado pelas empresas, não só pelo Estado’ AMF
  •  ‘O crescimento económico tem de ter um cunho redistributivo, pois o distributivismo das políticas sociais é fraco (não é suficiente para diminuir as disparidades)’ AMF
  • ‘Necessidade [obrigação] de pensarmos o futuro do país a partir do território e do local’ AMF
  • ‘Melhorar a qualidade de vida das pessoas no local onde vivem’ MS
  • ‘Valorizar os recursos de proximidade, no âmbito de uma estratégia nacional’ MS
  • ‘Pensar global, agir local e viral’ JWM
  • ‘Articulação virtuosa entre território, comunidades e economia’ JCA
  • Reconhecer as importantes mudanças estruturais ocorridas na última década (mudanças lentas, mas espessas): exportações de produtos intensivos em tecnologia; conhecimento valorizado pelas empresas; resiliência das empresas exportadoras dos sectores tradicionais; atmosfera industrial resiliente; reconhecimento do valor do uso intensivo TIC; ajustamento das ofertas/procuras das qualificações; crescente inovação social; deixou de haver sectores mas empresas (a lógica sectorial esvaiu-se)’ AMF

 

 

Ideias fortes para organizar o futuro (olhando para experiências internacionais relevantes)

 

Propostas para o futuro

  • Uma agenda para o futuro: apelo ao pluralismo do debate público; revisão do papel do BCE (mutualização do endividamento e dívida soberana); Europa resistente à austeridade (novo compromisso da democracia com a coesão social); dignificação e valorização do trabalho, potenciando a natureza redistributiva dos rendimentos que gera’; valorizar o papel social do crédito (aumentar o controle público sobre o sistema bancário); uma política económica com noção e escala de tempo, equilibrando a visão a curto e a médio prazo; mobilização de recursos para a estabilização da dívida mas também para o crescimento económico (geração de riqueza e emprego); JR
  •  ‘A via mais segura [para preparar o futuro] passa por um choque de qualificações, equilibrando o capital humano com o financeiro’ AMF
  • ‘É fundamental aprofundar o debate sobre a reformatação da despesa pública, sobre novas escolhas públicas, um debate que não é [só] de natureza ideológica’ AMF
  • ‘Estudar formas de financiamento alternativas (por ex: poupança nacional não registada)‘ MS
  • ‘Mobilizar o apoio espontâneo a nível local, suportado pela Administração Central com apoio técnico’ MS
  • ‘Programas de absorção de desemprego, aproveitando as sinergias da economia social (valorização das actividades ao serviço das necessidades) ‘
  •  ‘Potenciar a ‘economia solidária’ pelo carácter virtuoso das suas organizações (maior equidade, menor disparidades, enraizamento local, maior valorização inter-cultural, capacitação trabalhadores e do público alvo)’ JWM
  • ‘Aumentar a competitividade por via de estímulos para a criação de uma cultura generalizada de inovação e empreendedorismo’ JWM
  •  ‘Desafio aos investigadores para mostrarem, disponibilizarem e valorizarem (a utilidade social d) o conhecimento científico que produzem no território onde vivem [ao serviço da resolução de problemas ou da valorização de potenciais locais - acrescento] MS

 

JCC -  José Castro Caldas

EL - Elena Lasida

SC – Seixas da Costa

LP - Luís Portela

AMF - António Manuel Figueiredo

MS - Manuela Silva

JWM - João Wengorovius Meneses

JCA - José Carlos Albino

JR - José Reis

 

Algumas das sugestões apresentadas na conferência estão disponíveis nestes espaços:

 

Economia Social e Solidária

Partilha de experiências e projectos sobre Economia Social e Solidária

http://www.facebook.com/pages/Economia-Social-e-Solid%C3%A1ria-Portugal/298683993480146

 

Cidades pela Retoma

http://noeconomicrecoverywithoutcities.blogs.sapo.pt/

http://www.facebook.com/CidadespelaRetoma

 

José Carlos Mota

publicado por JCM às 00:55 | comentar | favorito