O que mudaria na minha cidade?

'Promovia uma estratégia cultural'

 

Vivo em Coimbra e tenho alguma intervenção na vida da cidade através da actividade do Museu da Ciência.

Aquilo que mudaria na cidade seria a intensidade e qualidade da sua vida cultural. Apesar de existirem sinais muito positivos de produção cultural e de criação e renovação de espaços de grande qualidade – Museu Machado de Castro, Santa Clara-a-Velha, Museu da Ciência Universidade de Coimbra, Teatro da Cerca de S. Bernardo, CAV (Circulo de Artes Visuais), Quinta das Lágrimas, Convento de S. Francisco, e outros com grande potencial como o TAGV, o Jardim Botânico, o CAPC (Círculo de Artes Plásticas de Coimbra) a AAC – falta uma estratégia coordenada que promova e concretize um ambiente cultural fértil e estimulante para os cidadãos. Uma cidade culta e cosmopolita. Isso envolve os agentes culturais e todo o ambiente urbano: da requalificação urbanística do centro à qualidade dos serviços prestados aos cidadãos e aos visitantes.

O que distingue as cidades verdadeiramente interessantes é terem ambientes culturais dinâmicos e cosmopolitas, serviços de qualidade e centros que são vivenciados. O abandono do centro da cidade, repetindo um efeito ‘doughnut’ conhecido, impede a requalificação. Mesmo a muito interessante recuperação das margens do Mondego só será conseguida se se requalificar a baixa. O coração da cidade, a baixa e a alta, têm um potencial de uso e fruição extraordinários. Para os vivermos com qualidade são necessários projectos de qualidade, funcionamento em rede e coordenação.

 

Paulo Gama Mota

Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra

(publicado no Público-Cidades 6FEV)

publicado por JCM às 09:00 | comentar | favorito