A propósito do texto de Sevcik

[comentário]


Completamente de acordo com SEVCIK. As receitas mágicas da Classe Criativa ou da Cidade Criativa, aplicadas a esmo servem, se servirem, apenas a operações de charme/marketing territorial de curto alcance.
O fundamento de uma viragem para a economia cultural e criativa radica na democracia cultural e criativa (bottom-up) e na diversidade. Isso exige uma visão política com uma forte componente de governância, transparência, informação pública e participação.
Nestes aspectos, segundo vários estudos ( Villaverde Cabral, Mozzicafreddo, A. Ribeiro, ...) as cidades médias e pequenas portuguesas estão ainda na idade média, a figura do "Cesarismo" paternalista ainda abunda...quantos presidentes de câmara/vereadores se julgam programadores e gestores culturais ? quantos decidem que a arte pública é uma coisa de rotundas ? quantos decidem o que é ou não é cultura? quantos pensam que "cultura" é uma flor na lapela...
Como não acredito em saltos quânticos em matéria politico-social-cultural, só quando começarmos a fazer o trabalho de casa, desde o princípio e sem batota, é que poderemos ambicionar a ter uma vitalidade cultural urbana interessante, um tecido criativo activo e crítico, enfim uma atmosfera cultural e criativa regular e presente no quotidiano. Sem isso, ficamos com uns espectáculos e umas festa de salão ao fim-de-semana para nos entreter...
A minha tentativa e proposta para uma política cultural, aqui (obviamente que não serve como modelo universal, foi pensada para Torres Vedras)

Rui Matoso

publicado por JCM às 22:13 | favorito